A história do Master System

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Sonymaster
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A história do Master System

Mensagem por Sonymaster » Dom Nov 25, 2018 9:53 pm

Evolução dos primeiros lançamentos domésticos da veterana desenvolvedora de arcades, nunca teve papel de destaque na terra natal e na América do Norte, então já coalhados de Nintendinhos. Seu hardware superior permitia games melhores que do concorrente, mas o "acordo" da Ni***ndo com as softhouses, impedindo-as de trabalhar no console rival, levou essa esperada concorrência a nunca existir de fato.

Só longe dos redutos nintendistas a Sega conseguiu voos altos, com jogos criados por desenvolvedoras europeias, tornando-se o videogame mais popular do Brasil, sob tutela da Tec Toy. Com campanhas eficientes e boa distribuição, o Master arrebatou uma legião de fãs por aqui, que depois de fidelizados, fizeram "carreira" indo para o Mega Drive.

Entre seus sucessos figuram o RPG Phantasy Star, primeiro game 100% traduzido para o português, Alex Kidd in Miracle World, incluído na memória do console, Double Dragon, sucesso portado do arcade, entre tantos.

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Depois de um começo não muito auspicioso com o SG-1000 (Sega Game 1000) e o sucessor SG-1000 II, a Sega ainda tentava se firmar no negócio dos videogames domésticos, já que era uma respeitada fabricante de arcades e máquinas profissionais. O Sega Mark III foi uma evolução natural desses primeiros passos, com bem mais memória e recursos gráficos.

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O problema é que ele tinha um adversário duro no Japão: o Famicom (versão nipônica do NES) dominava totalmente a cena desde seu lançamento em 1983. Dois anos antes dele, já havia mais de 2,5 milhões de Famicoms vendidos; o coitado do Mark foi jogado no meio da batalha, num território cheio de inimigos e seu comandante disse: "vai lá e vence".

Com design de Hideki Sato, lançado em 20/10/1985 com um preço inicial de ¥15,000 (algo como US$240,00), o Sega Mark III aceitava cartuchos (máximo de 1 megabit) ou cartão de memória (Sega Game Card) de até 256 kbits, podia ter jogos gravados na memória (rodavam quando não havia cartucho conectado) e retrocompatibilidade com o SG-1000. O período foi até bom, com quase um milhão de consoles vendidos no primeiro ano.

Dois anos depois veio uma versão redesenhada e usando o nome Master System, similar à ocidental (vermelho e preto, tipo esse americano mais abaixo), com um chip de som FM e adição dos famosos óculos 3D. Nenhuma dessas mudanças foi suficiente para sequer abalar um pouquinho que fosse a forte dominação do Famicom, e ele ficou em não muito mais que 1 milhão de unidades.

A disputa pelo domínio japonês simplesmente não existiu. O Famicom estava presente em 3 de cada 10 lares, e não havia espaço ou interesse dos locais em outro nome. Restava, quem sabe, tentar a sorte longe de casa.

No ano seguinte ao lançamento japonês, os executivos lançaram seus olhares para o (re)emergente mercado americano. Depois do fracasso de várias empresas, o NES havia recolocado os videogames na trilha do sucesso, e a ideia era pegar carona nisso. Com um modelo redesenhado pelo mesmo Sato, o console nasceu na América como The Sega Master System.

A esperança era bater de frente com o NES, que ali tinha cerca de um ano de presença — mas já com mais de 80% de participação no mercado. Fácil de encarar? Talvez menos difícil que no Japão.

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O design americano foi o mesmo que teríamos no Brasil um pouco mais tarde: aquele console bonito em preto e vermelho. A aparência do Mark III foi totalmente abandonada, certamente para agradar ao gosto americano, ficando mais robusto e em tons escuros. Houve também uma pequena mudança na pinagem, impedindo que carts japoneses funcionassem, exceto com adaptador.

Os botões do gamepad eram os mesmos 1 e 2 do japonês, um também com a função Start. O mais estranho (abominável) eram os botões Pause e Reset em posições similares no console: na pressa de pausar, era inevitável enfiar a mão no videogame e às vezes apertar o reset sem querer. Bola fora.

O primeiro foi lançado com o jogo Astro Warrior na memória, e posteriores levavam Hang On e Safari Hunt num cartucho 2 em 1 ou na memória, ou só Hang On e o game Snail Maze como jogo secreto, acionável ao ligar o aparelho sem cartucho e com a combinação ↑ + 1 e 2 pressionados, tudo acompanhado com a pistola Light Phaser e 2 controles.

Para fazer a distribuição nos Estados Unidos, a Sega contratou a Tonka, fabricante de brinquedos que não tinha experiência alguma com games. O resultado foi uma série de lambanças quanto a licenciamentos e lançamentos, e vendas muito baixas. Pra piorar, a Ni***ndo havia adotado sua famigerada política de parcerias, na qual softhouses que trabalhassem com ela eram obrigadas por contrato a fazê-lo sob regime de exclusividade.

Com medo de perder a parceria com a "toda-poderosa" Big N, as empresas engoliam a exclusividade, ficando a tarefa de criar jogos para o Master System só nas mãos da própria Sega, além de games esporádicos da Activision e Parker Bros (que também desistiram logo, afinal ninguém rasga dinheiro).

Console sem jogos é como carro sem combustível: serve de enfeite, mas não te leva a lugar nenhum...

O staff da Sega estava p... da vida com a Tonka, então resolveu fazer a própria divulgação e produção do Master, lançando o Master System II (não confunda com o MSII nacional), de baixo custo, sem entrada para cartão e com Alex Kidd in Miracle World na memória.

Uma jogada agressiva - algo como a Ni***ndo colocar Mario na memória do NES, já que o príncipe comedor de bolinhos de arroz era o mascotinho da Sega na época pré-Sonic. Apesar da forte campanha promocional, as vendas foram de mal a pior; a América também não parecia disposta a colaborar com a Sega nos 8-bit.

Em 1991, enfim a artimanha da Ni***ndo foi julgada e condenada pelas leis antitruste locais (ou seja, foi decidido que os cabrestos contratuais impediam a concorrência, sendo ilegais). Mesmo com o fim da validade de muitos dos contratos firmados antes, a história do Master System estava encerrada; o Mega Drive já vinha atropelando todo mundo e acabando de vez com a aventura dele nos Estados Unidos, com míseros 2 milhões de consoles vendidos.

No Canadá, o Master foi distribuído pela Irwin, fabricante de brinquedos tecnológicos similar à Tec Toy brasileira e a Tonka americana. Pela falta de jogos originais no país vizinho, os lançamentos europeus também desembarcaram por lá.

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Com campanhas fortes na Europa, o Master System começou a ser vendido em vários países a partir de 1987. Como a Ni***ndo não era oficialmente representada em muitos deles, a Sega pôde ver seu garoto ter o espaço que queria, com alguma concorrência inicial apenas de computadores pessoais como Amiga 500 e Atari ST, usados para jogos.

A Ni***ndo só teve representatividade com o NES bem mais tarde, quando o Mega Drive já estava em circulação - o Master teve tempo de deitar e rolar em solo europeu. No fim de 1993 havia mais de 6 milhões de unidades no continente, o equivalente a quase metade de todos os videogames na Europa Ocidental. Os mercados de maior sucesso foram França e Reino Unido, ambos com cerca de 1,5 milhão de unidades.

A boa recepção europeia levou à criação da divisão local da Sega. Longe das obrigações válidas em território americano, desenvolvedoras produziram vários títulos, como a Acclaim, Domark, Virgin, entre outras. Quase todos esses jogos serviram para alimentar mercados como o Canadá e o Brasil.

Brasil, por sinal, que recebeu o Master de braços abertos.

Aqui o Master System alcançou a glória. Foram mais de 2 milhões de consoles vendidos (maior número em um único país) entre as cinco versões lançadas entre 1989 e 1995, todas pela Tec Toy.

Ao contrário do que aconteceu nos EUA com a Tonka, a Tec Toy foi mais esperta e conseguiu transformar o videogame da Sega num produto desejado por um público que até então jogava Atari 2600 ou sonhava em importar NES — o primeiro já não parecia tão interessante e o segundo, só pra quem tinha uns dólares na manga trazer o seu de Miami.

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Com o sucesso, até a Tec Toy se aventurou no desenvolvimento de jogos, quase sempre fazendo alterações em originais e inserindo personagens localizados, caso de Mônica no Castelo do Dragão (que usava o game Wonder Boy in Fantasy Land com os personagens de Maurício de Sousa), Geraldinho (adaptação de Teddy Boy) e Castelo Rá-Tim-Bum (original).

A primeira de suas intervenções, porém, foi a mais conhecida, com a total adaptação de Phantasy Star, RPG mais que clássico e que foi a introdução para muitos fãs do gênero por essas plagas (eu incluso). É difícil dizer se o impacto dos RPGs no país seria o mesmo sem esse esforço da Tec Toy.

Foram várias e várias versões do Master e elas continuam surgindo; ainda hoje ele é fabricado, mas sem entrada para cartuchos e com muitos jogos na memória. São portáteis, versões estilizadas com personagens de desenho, femininos com cores como rosa e tons pastéis, entre outros. Uma que ficou bem conhecida até fora do Brasil é o Master System Super Compact, que sem fios, transmite os sinais através de RF, sendo peça de grande interesse para colecionadores.

Em 1989 foi lançado o último game oficialmente no Japão; nos Estados Unidos, em 1991, e na Europa bem mais tarde, com The Smurfs lançado em 1996. Mesmo descontinuado pelo mundo, o Brasil seguiu firme seu caso de amor com o Master, e só em 2003 foi produzida a última versão com slot de cartucho.

Os Master System fabricados hoje são voltados a jogadores iniciantes, principalmente crianças, e incompatíveis com a maioria dos acessórios; a estrutura interna é totalmente diferente do original, é um produto de baixíssimo custo. Normalmente acompanham controles de seis botões iguais aos do Mega Drive - para economizar, usam uma única linha de montagem para os dois videogames.

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Na Coreia do Sul o Master foi produzido pela Samsung com licença da Sega devido a questões legais, com o nome de Gam*Boy, e nos modelos finais, rebatizado para Super Aladdim Boy.

Tal como a TecToy, que fez os consoles aqui no Brasil, em cada região havia um fabricante. Na Coreia, a Samsung criou seus modelos baseados nos originais, variando nos controles. O primeiro tinha o chip de som FM que até então era exclusivo do Master System japonês. Lançou ainda alguns coloridos e relacionados a produtos, como o Alladin Boy (pegando carona na animação Alladin).

A Tec Toy inovou com um console portátil sem fio, distribuído também em versão "para meninas" num tom de rosa. Entre os americanos, mais destaque mesmo para o original preto e vermelho, e depois o modelo arredondado, que por lá era o Master System II, mas pra nós do Brasil, era o III. Isso porque o nosso II foi um relançamento do primeiro, mas com Alex Kidd na memória.

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Modelos lançados bem depois da descontinuação mundial do 8-bit abdicaram de usar cartucho em prol de games na memória, como o Master System 3 (note que usando a numeração decimal em vez de romano, como os antigos), com 132 jogos. Esses aparelhos não têm praticamente nada dos originais, até porque muitos componentes não são mais fabricados.

Modelos lançados bem depois da descontinuação mundial do 8-bit abdicaram de usar cartucho em prol de games na memória, como o Master System 3 (note que usando a numeração decimal em vez de romano, como os antigos), com 132 jogos. Esses aparelhos não têm praticamente nada dos originais, até porque muitos componentes não são mais fabricados.

Muitos clássicos. Durante o período de ouro, Alex Kidd chegou a ser mascote oficial da Sega - até o surgimento de Sonic para acabar com seu reinado. Foram várias aventuras do príncipe orelhudo no 8-bit. Phantasy Star será eternamente lembrado como um dos pioneiros dos RPGs e um dos melhores games da 3ª geração, com deslumbrantes labirintos "3D" e som de primeira - além da adaptação para o português.

Lembre-se / conheça alguns:

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As conversões de arcade também marcaram o Master, como Double Dragon e Golden Axe. Jogos com temas infantis fizeram sucesso até entre marmanjos, como o excelentíssimo Castle of Illusion com Mickey, The Lucky Dime Caper com Donald e Disney's Aladdin.

Sem falar nas produções da Tec Toy, fosse modificando jogos para enfiar temas do gosto local como Mônica no Castelo do Dragão, ou fazendo games 100% novos como Férias Frustradas do Pica-Pau, Show do Milhão e Street Fighter II (com aval da Capcom, nada daquelas tranqueiras piratas que apareceram no NES).

Fonte: Memoria Bit
Sega x Big N Jogador de Videogame das décadas de 1980 e 1990

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